quinta-feira, 17 de março de 2005

Águas revoltas, Amores perenes

Foto: PBT.Inc.1999

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Vagarosas, embora possantes,
Correm hoje as águas do Douro…
Ontem eram indomadas e triunfantes,
Somando mil vezes a força de um touro!


Bucólico corre esse rio obscuro,
Onde amores maiores aconteceram,
Hoje vestígios do sentimento puro,
Da voz, da alma que nos deixaram…

4 comentários:

AnaP disse...

Bonita imagem, bonito texto! Um beijo grande!
(já sabes que não faço comentários muito grandes) :-)

Anónimo disse...

Lindo! Gustavo! Bela imagem e texto muito real! É uma paisagem absolutamente imponente e quem lembra os tempos da Ferreirinha, sabe como os trabalhadores e ela própria, agarravam o néctar dos Deuses como quem agarra um touro bravio!
Beijinho Dad

Andre Moa disse...

MEU DOURO, MEU TESOURO

Gentes do Douro! Só visto!
Trabalhais que nem um mouro.
Retirais mosto do xisto,
Transformais a pedra em ouro.

Rompeis o dorso do Douro,
Podais as negras videiras,
Guardais na pipa um tesouro,
Fruto das vossas canseiras.

Vossos pés são um bordão
Mais santo que o de Moisés
Que tirou água do chão;
Vós tirais vinho dos pés.

No lagar, cantando um hino
Em louvor do deus das uvas,
Tirais delas vinho fino.
Os calos são vossas luvas.

Gente rija que nem aço!
Sulcos de suor no rosto,
Pisais uvas e bagaço,
Transfegais suor e mosto.

O vinho fino é tratado
Com sangue, suor e frio.
No Verão, corpo ensopado;
No Inverno, vento frio.

O vale do Douro é um palco
Onde o Povo canta e sua.
De socalco em socalco,
Torra ao Sol e canta à Lua.

Rio Douro, vinho fino,
Montes de xisto e suor,
Sois para mim, desde menino,
Meu Templo, meu Altar-Mor.

André Moa

Gustavo Monteiro de Almeida disse...

Obrigado pelo poema que tão bem nos retrata e acolhe na sua imaginação de poeta.