sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Inverno natalício







Aqui ficam algumas imagens de Inverno, que partilho convosco na blogosfera em jeito de desejo de um Santo e Feliz Natal e de um próspero Ano Novo para 2010, que supere todas as expectativas.
(Tratam-se de pequenas telas, pintadas em 2007, apenas com acrílicos branco e azul)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

Simplesmente Agustina...

"O mais veemente dos vencedores e o mendigo que se apoia num raio de sol, para viver um dia mais, equivalem-se, não como valores de aptidões ou de razão, não talvez como sentido metafísico ou direito abstracto, mas pelo que em si é a atormentada continuidade do homem, o que, sem impulso, fica sob o coração, quase esperança sem nome"
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Agustina Bessa-Luís, in A Sibila

sexta-feira, 25 de Setembro de 2009

Terras de Encanto - Tabuaço - Adorigo

Igreja Matriz de Adorigo


Terras de Encanto - Tabuaço - Arcos

Igreja Matriz de Arcos


Terras de Encanto - Tabuaço - Barcos

Igreja de Santa Maria do Sabroso



Igreja Matriz de Barcos

Terras de Encanto - Tabuaço - Chavães

Igreja Matriz de Chavães


Terras de Encanto - Tabuaço - Desejosa

Igreja Matriz de Desejosa




Antiga Igreja Paroquial de Balsa

Terras de Encanto - Tabuaço - Granja do Tedo

Igreja Matriz de Granja do Tedo

Terras de Encanto - Tabuaço - Granjinha

Igreja Matriz de Granjinha

Terras de Encanto - Tabuaço - Longa

Igreja Matriz de Longa

Terras de Encanto - Tabuaço - Paradela

Igreja Matriz de Paradela

Terras de Encanto - Tabuaço - Pereiro

Igreja Matriz do Pereiro

Terras de Encanto - Tabuaço - Pinheiros

Igreja Matriz de Pinheiros




Igreja Matriz de Carrazedo

Terras de Encanto - Tabuaço - Santa Leocádia

Igreja Matriz de Santa Leocádia


Terras de Encanto - Tabuaço - Sendim

Igreja Matriz de Sendim


Terras de Encanto - Tabuaço - Tabuaço

Igreja Matriz de Tabuaço


Terras de Encanto - Tabuaço - Távora

Igreja Matriz de Távora


Terras de Encanto - Tabuaço - Vale de Figueira

Igreja Matriz de Vale de Figueira

Terras de Encanto - Tabuaço - Valença do Douro

Igreja Matriz de Valença do Douro

quarta-feira, 18 de Março de 2009

Tabuaço - Estradas «reais»

O Programa NÓS POR CÁ, da SIC, passou, ontém, dia 17 de Março, uma reportagem referente ao grande descontentamento que existe em Tabuaço pelo facto de os sucessivos governos continuarem a adiar a construção de melhores e mais modernas acessibilidades a este concelho e aos que o circundam, provocando a estagnação económica, a desertificação humana...

Para que os leitores melhor possam opinar sobre o assunto, deixamos aqui o respectivo endereço: http://sic.aeiou.pt/online/noticias/programas/nos+por+ca/

De igual modo, o Jornal Público recentemente publicou uma entrevista ao edil tabuacense, referente ao mesmo assunto, cujo endereço igualmente publico aqui: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1368422&idCanal=59

Tabuaço tal como a maior parte dos concelhos do interior norte do distrito de Viseu, tem sido quase esquecido desde há mais de cem anos. Conhecendo a história deste município, pensamos para nós: e foi este um dos concelhos mais desenvolvidos da região em finais do séc. XIX…

Todos os tabuacenses, independentemente da cor partidária, pretendem acessos condignos, que os liguem à auto-estrada A-24 que atravessa o concelho de Lamego, rumo a Viseu, à Régua ou a Vila Real. Entre Lamego e Tabuaço existe o concelho de Armamar. Cada um desses concelhos encontra-se implantado em serras altas separadas por profundos vales. São orografias de sonho, com muito património cultural e arqueológico, excelentes para o turismo e lazer, mas sem acessibilidades condignas. E essa acessibilidade mais directa, com necessárias pontes sobre esses vales (caras dirão uns, mas sempre necessárias), poderia ser estendida por São João da Pesqueira, até ir dar a Vila Nova de Foz Côa...

Tal como todos os portugueses, independentemente do regime político a que aspirem, estes cidadãos anseiam por ter melhores condições de vida, melhores acessos para todos os serviços de que necessitam no seu dia-a-dia, melhores acessos para que os turistas os possam visitar e para que as empresas se possam fixar e ter acessos mais seguros e directos para escoar os seus produtos e serviços.

Não é esta a ambição de todos os autarcas? Poder melhorar as suas terras e vê-las crescer, com melhores acessos, para que se possam fixar empresas e cidadãos? Depois admiram-se em Lisboa que haja sangria demográfica, assimetrias regionais… migração nas suas mais diversas formas…

Embora pareça irónico apelar ao que a Monarquia fez a verdade é que a República esquece e protela... Temos para nós que apesar de o estilo utilizado poder parecer algo despropositado numa República, o que é certo é que estamos perante uma boa chapada de luva branca para com a Administração Central. A partir do momento em que algo apenas se faz se for notícia, aparecendo na TV e nos jornais...

Uma coisa é certa, os habitantes do concelho de Tabuaço também pagam impostos, também têm sonhos e desideratos para cumprir e aguardam pelo respectivo retorno. O município de Tabuaço já gastou vários milhares de euros no projecto deste ambicionado traçado. E não é de agora… E o Estado Português...?

Parque Abel Botelho, em Tabuaço

domingo, 19 de Fevereiro de 2006

Consciência

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"A minha consciência tem para mim mais peso do que a opinião do mundo inteiro"
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Cícero

domingo, 9 de Outubro de 2005

Futuro

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"...O futuro permanece escondido até dos homens que o fazem..."
Anatole France

quarta-feira, 14 de Setembro de 2005

A Inépcia é Pior que a Falsidade



A Inépcia é Pior que a Falsidade
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"Toda a gente pode falar com verdade; mas falar com ordem, com prudência e capazmente, poucos o podem. Por isso, a falsidade que vem da ignorância não me ofende; a inépcia, sim. Quebrei várias negociações que me eram úteis, por causa da estupidez que punham nas discussões aqueles com quem negociava. Nem uma vez por ano me irrito com as faltas dos meus subordinados; mas, no que respeita à idiotice e teimosia das suas alegações, às desculpas e defesas asininas e brutas, andamos todos os dias às turras. Não entendem nem o que se lhes diz nem a razão das coisas e respondem na mesma; é de desesperar.
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Só outra cabeça é capaz de impressionar fortemente a minha e acomodo-me melhor com os erros dos meus do que com a sua leviandade, impertinência e estupidez. Que façam menos, contanto que façam bem alguma coisa; vive-se na esperança de lhes excitar a vontade, mas de estúpidos não há que esperar nem que lucrar coisa que valha."
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Michel de Montaigne, in "Da Arte de Discutir"
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Aqui está um bom pensamento para partilhar, pleno de actualidade, e que nos faz pensar no nosso dia-a-dia e na inépcia com que alguns, por vezes, nos tentam espicaçar o espírito…

terça-feira, 16 de Agosto de 2005

Vai...


Em jeito de partilha:


Vai...

Para sonhar o que poucos ousaram sonhar.
Para realizar aquilo que já te disseram que não podia ser feito.
Para alcançar a estrela inalcançável.

Essa será a tua tarefa: alcançar essa estrela.
Sem quereres saber quão longe ela se encontra;
nem de quanta esperança necessitarás;
nem se poderás ser maior do que o teu medo.
Apenas nisso vale a pena gastares a tua vida.

Para carregar sobre os ombros o peso do mundo.
Para lutar pelo bem sem descanso e sem cansaço.
Para enxugar todas as lágrimas ou para lhes dar um sentido luminoso.
Levarás a tua juventude a lugares onde se pode morrer, porque precisam lá de ti.
Pisarás terrenos que muitos valentes não se atreveriam a pisar.
Partirás para longe, talvez sem saíres do mesmo lugar.

Para amar com pureza e castidade.
Para devolver à palavra "amigo" o seu sabor a vento e rocha.
Para ter muitos filhos nascidos também do teu corpo e - ou - muitos mais nascidos apenas do teu coração.
Para dar de novo todo o valor às palavras dos homens.
Para descobrir os caminhos que há no ventre da noite.
Para vencer o medo.

Não medirás as tuas forças.
O anjo do bem te levará consigo, sem permitir que os teus pés se magoem nas pedras.
Ele, que vigia o sono das crianças e coloca nos seus olhos uma luz pura que apetece beijar, é também guerreiro forte.
Verás a tua mão tocar rochedos grandes e fazer brotar deles água verdadeira.
Olharás para tudo com espanto.
Saberás que, sendo tu nada, és capaz de uma flor no esterco e de um archote no escuro.

Para sofrer aquilo que não sabias ser capaz de sofrer.
Para viver daquilo que mata.
Para saber as cores que existem por dentro do silêncio.
Continuarás quando os teus braços estiverem fatigados.
Olharás para as tuas cicatrizes sem tristeza.
Tu saberás que um homem pode seguir em frente apesar de tudo o que dói, e que só assim é homem.

Para gritar, mesmo calado, os verdadeiros nomes de tudo.
Para tratar como lixo as bugigangas que outros acariciam.
Para mostrar que se pode viver de luar quando se vai por um caminho que é principalmente de cor e espuma.
Levantarás do chão cada pedra das ruínas em que transformaram tudo isto.
Uma força que não é tua nos teus braços.
Beijá-las-ás e voltarás a pô-las nos seus lugares.

Para ir mais além.
Para passar cantando perto daqueles que viveram poucos anos e já envelheceram.
Para puxar por um braço, com carinho, esses que passam a tarde sentados em frente de uma cerveja.
Dirás até ao último momento: "ainda não é suficiente".
Disposto a ir às portas do abismo salvar uma flor que resvalava.
Disposto a dar tudo pelo que parece ser nada.
Disposto a ter contigo dores que são semente de alegrias talvez longe.

Para tocar o intocável.
Para haver em ti um sorriso que a morte não te possa arrancar.
Para encontrar a luz de cuja existência sempre suspeitaste.
Para alcançar a estrela inalcançável.


Paulo Geraldo, in http://cidadela.com.sapo.pt

sábado, 9 de Julho de 2005

Abel Botelho - Um Assento de Baptismo

Abel Botelho
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Em busca de um Assento

Inúmeros biógrafos têm vindo a escrever que Abel Botelho nasceu na vila de Tabuaço em 23 de Setembro de 1855 ou de 1856. Finalmente, em finais da década de 1970, acabou por ser assumido pela maioria dos autores, bem como pelos que se têm seguido, que o famoso escritor, expoente do Naturalismo Português, tinha nascido no ano de 1855. Referimo-nos aos trabalhos de investigação de Justino Mendes de Almeida (Escorço bibliográfico e estudo linguístico, in Obras de Abel Botelho, vol. I, Lello & Irmão, Porto, 1979), de Monique Benoit-Dupuis (Contribution à la Bibliographie d'Abel Acácio de Almeida Botelho, in Sillages, n.º 5, págs. 49-78, Paris, 1977), e, posteriormente, de José Guilherme Macedo Fernandes (Abel Botelho: filho ilustre de Tabuaço, Lisboa, 1986), além de diversos artigos, do autor destas linhas, publicados em órgãos de imprensa regional no ano transacto.

Todavia, ao que parece, nenhum autor tinha cuidado de procurar uma fonte histórica e verídica, muito utilizada em Genealogia, que na época desempenhava a verdadeira função de registo oficial e que apenas seria destronada definitivamente em 1911 pelo actual Registo Civil: referimo-nos aos Registos de Assentos de Baptismo, e, neste caso, ao Assento de Baptismo de Abel Botelho, único documento autêntico e fonte primária que deveria ter sido desde logo utilizado para solucionar a questão.

Qual não foi o nosso espanto, após deslocação, há poucos dias, ao Arquivo Distrital de Viseu, com o fim de consultar os Livros de Baptismos, Casamentos e Óbitos do Arciprestado de Tabuaço, quando nos deparámos com o conteúdo do assento de baptismo de Abel Botelho que se refere, afinal, ao ano de 1854.

Considerando ser um dever proceder à sua divulgação, aqui fica a transcrição integral do documento, para que de uma vez por todas se dissipem as dúvidas acerca do ano de nascimento de Abel Acácio de Almeida Botelho:

“…
Abel, filho legitimo de Luiz Carlos d’Almeida Bo- / telho, natural de Viseu, Freguesia da Sé = e de / D. Maria Preciosa d’Azevedo Botelho, desta Fregue- / sia, nepto paterno de Christovão Antonio d’Almei-/ da e Costa da Freguesia de Monsanto, Bispado de / Castello Branco = e de D. Helena Joaquina / da Fonseca da Freguesia de Castello Bom, Bispado / de Pinhel = e materno de Bento d’Azevedo Leitão / desta Freguesia, e de D. Maria Bernarda da / Freguesia de Fonte arcada, deste Bispado, foi por / mim solemnemente baptizado no dia vinte um / de Novembro de mil oito centos cincoenta e qua- / tro, tendo nascido a vinte e tres de Septembro do / mesmo anno supra; foram Padrinhos seus / avós maternos = Bento d’Azevedo Leitão e / D. Maria Bernarda = e testemunhas o Rd.º P.e An- / tonio Vaz Pereira = e o Rd.º P.e Manoel Ribeiro da / Fonseca; e para constar fiz este assento que assignamos

O Abb.e Antonio Soares Martinho

P.e Ant.º Vaz Ferr. .............. P.e Manoel Rib.º da Fon.ca
...”
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Fonte: Livro de Baptismos da Freguesia de Tabuaço, concelho de Tabuaço,
Ano de 1854, Cx. 14, n.º 3, fl. 91 v.º.

Observações: As mudanças de linha vão assinaladas com o sinal /

quinta-feira, 23 de Junho de 2005

João, o Baptista




João Baptista por Leonardo Da Vinci


Apesar de se tratar de um santo bastante enigmático, e de poder ter estado ligado à comunidade de Qumran, é tido como alguém que teve uma grande actividade profética. São Lucas diz-nos que "a palavra de Deus foi dirigida a João filho de Zacarias, no deserto", através daquilo que o próprio Santo denominou de comunicações celestes. João terá sido culto, carismático, com uma pregação cujo conteúdo ateia a esperança, razão pela qual "todo o povo" acorre a ele.

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Também é conhecido por, por volta dos seus 30 a 32 anos de idade, ter baptizado a Jesus, em quem reconheceu o Cristo, o Ungido, aquele que vem cumprir as promessas das Escrituras, sendo já nessa altura um Mestre com uma roda de inúmeros discípulos, transitando alguns deles, posteriormente, para Jesus Cristo, vindo a tornar-se importantes apóstolos.

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Porém, as suas críticas aos amores ilícitos de Herodes Antipas levaram-no à prisão e posteriormente ao martírio, por decapitação, em Maqueronte.

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Muito mais se poderia escrever sobre um Santo cuja tradição inspira muitos portugueses e é motivo de grandes celebrações anuais por todo o país durante estes dias de Junho. No entanto, mais vale ganhar a esperança que desde sempre nos ensinou a procurar, celebrando com todos, em casa e na rua, a alegria da existência.

terça-feira, 14 de Junho de 2005

Eugénio de Andrade

Foto: in Público, 18/3/90

" É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.
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É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.
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É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
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Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer. "
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Eugénio de Andrade (1923 - 2005)

quarta-feira, 8 de Junho de 2005

Os Realistas e os Românticos

Os Realistas e os Românticos
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"Os realistas fazem as pequenas coisas e os românticos as grandes. Um homem tem de ser realista para poder gerir uma fábrica de tachas. Tem de ser romântico para gerir o mundo.
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É necessário um realista para encontrar a realidade; o romântico é necessário para criá-la. Napoleão é apenas um poeta, Cromwell um entusiasta, César um retórico. A distância entre Henry Ford e John Milton é sempre maior no comboio de regresso.
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A realização é a morte, porque é o fim. Os romãnticos são sobrevivências, encarnações perpétuas de si próprios."
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Fernando Pessoa, in 'Heróstato'

quinta-feira, 2 de Junho de 2005

Em conversa com Deus



Água, de autor anónimo


Fui desafiado pela minha querida amiga Ana para que respondesse a um pequeno inquérito e o publicasse, aqui no Ars Lusa.

O referido inquérito/desafio, tal como ela refere, advém de um blog que visitou, o
confessionário de um padre, onde o descobriu e repescou para divulgação.

Tal como ela o referiu, também aqui está aberto o campo para vocês, se quiserem, responderem ao mesmo, do vosso jeito, de acordo com o vosso sentir, enquanto comentário.


As questões estão redigidas tal como a Ana as entendeu trajar, sendo as respostas as que me ocorreram tendo em conta as circunstâncias actuais que conformam e moldam a Humanidade:


Imagina que Deus marcou um encontro contigo num determinado restaurante perto da tua casa. Imagina-te sentado/a ao Seu lado, a dialogar com Ele. E agora pergunto eu [sic]:

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1 - Qual era a ementa que Lhe sugerias e porquê?
Talvez Lhe sugerisse que começássemos por beber um pouco da água que representa a nossa Fons Vitae, sem a qual nada somos, com o ensejo de lhe demonstrar que é necessário que inspire a humanidade a não polui-la, pois precisará dela sempre… Depois, talvez procurasse uma ementa composta por pequenos pratos representativos de todas as diferentes culturas a nível mundial, que não podem ser esquecidas sob pena de sermos sempre parcelares na apreciação do génio humano e de todos os povos.


2 - Que motivo teria Deus para querer almoçar contigo?
Não sei. Mas sentir-me-ia honrado e tentaria ser digno da Sua companhia, tentando aprender o máximo, amadurecer mais um pouco, e demonstrar, também, porque razão é que somos todos considerados Seus filhos, fruto de Criação Divina.


3 - Fazia-te perguntas acerca da Igreja. Que Lhe contavas?
Dir-lhe-ia que as Igrejas necessitam de um salvo conduto Seu para se poderem afastar do caminho menos próprio que escolheram e que é fonte de todos os males e desinteligências que criaram ao longo dos séculos, na ânsia de protagonismo, criando excesso de dogmatismo em vez da procura da verdade e da humildade em querer percorrer um caminho de desenvolvimento espiritual. Dir-lhe-ia, também, que existem muitas pessoas com empenhada fé interior que gostariam de poder transmiti-la aos que as rodeiam, mas que por falta de unidade de credos, se sentem molestadas psicologicamente devido a excesso de interpretações religiosas, e que, enfim, através do Ecumenismo, talvez se conseguisse chegar à Verdade…


4 - Dava-te a possibilidade de te concretizar um desejo. Que pedias?
Pedir-lhe-ia que, pelo menos por um dia, toda a humanidade parasse para reflectir acerca do seu passado (de tudo o que tinha percorrido e de todo o bem e mal que fez a si e ao meio envolvente), do seu presente e dos seus anseios para o futuro.


5 - No final da refeição, pedia-te uma recordação. Que lhe oferecias?
Um abraço Paternal, se tal me fosse permitido, para poder sentir a sua energia conciliadora, em abandono de criança nos braços de Alguém protector, e tentar compreender um pouco da essência que nos une e diferencia enquanto ser Divino e ser corpóreo.


6 - Por fim, oferecias-Lhe um café com ou sem açúcar? Porquê?
Com açúcar, para que sentisse o mesmo que eu sinto quando bebo um café, em jeito de partilha de emoções.

7 - Quem pagava a conta?
Pagaria eu em sinal de agradecimento pela Sua e minha existência.


8 - Quem vais sugerir (3 pessoas) para almoçar com Ele? E porquê?
Não sugiro ninguém em especial, pois todos são bem vindos nesta «casa». No entanto, agradeço, desde já, a quem entender publicar o inquérito no respectivo blog, que deixe aqui a referência a tal facto como comentário, para poder ser partilhado por todos os visitantes.

domingo, 29 de Maio de 2005

Pintura... a mais contraditória das artes

Maria Helena Vieira da Silva, O Desastre, óleo sobre tela, 1942

"A pintura é a mais contraditória entre as artes. Ela é-nos dada sob a forma de contemplação sensorial. Uma vez que a percepção penetra directamente no consciente, os quadros criam uma impressão de imediatez. Temos uma sensação como se nenhuma linguagem simbólica se interpusesse entre nós e aquilo que vemos".
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Dietrich Schwanitz

quinta-feira, 26 de Maio de 2005

Longa - Um refúgio com muitas histórias...


Longa

Uma terra antiga plena de história e envolta pela natureza


Longa - Vista aérea
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A freguesia de Longa, uma das dezassete que compõem o concelho de Tabuaço, no distrito de Viseu, encontra-se situada a meio de uma encosta, onde se terá desenvolvido desde a Alta Idade Média, tendo feito parte do Couto de Leomil nos alvores da nacionalidade.

No entanto, é mais fácil identificar a sua vetustez através dos inúmeros sítios arqueológicos existentes, que remontam a períodos mais recuados, do que através da documentação que chegou aos nossos dias referente ao período medieval.

O próprio topónimo de Longa, segundo Almeida Fernandes, remete-nos para a arqueologia, tendo aquele autor chegado a supô-lo como topónimo de origem latina, que se poderia referir a sepultura e relacionar possivelmente com a edificação primitus da igreja ou, apesar do singular do étimo, com uma necrópole composta por prováveis sepulturas rupestres, há muito desaparecidas.

Certo é que o povoamento da área correspondente à freguesia de Longa é antiquíssimo, existindo inúmeros sítios arqueológicos que provam a sua ancianidade, desde o Povoado do Graíl, recentemente descoberto e datado do período do Calcolítico, ou a Anta situada junto ao Cruzeiro do Alto da Quinta, passando pela bem conhecida Citânia de Longa (também denominada de Castelo de Longa ou Castelo dos Mouros no séc. XVIII), classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1992, situada no cume do monte do Muro e que datará da Idade do Bronze, e pelo Povoado da Encosta do Muro, ao que parece, do período do Bronze Final e Idade do Ferro, entre muitos outros sítios, como o Menir da Chã, recentemente descoberto e a aguardar estudo e classificação (a provar-se ser um menir, será o 2.º maior de Portugal e da Península Ibérica e o maior do Norte de Portugal).

Citânia de Longa

A fundação da Igreja de São Pelágio de Longa poderá ter ocorrido no séc. X, em homenagem ao menino mártir S. Pelágio (martirizado em Córdova). Porém, pelo facto de se encontrar em terras do Ermamento, deverá ter sofrido todas as vicissitudes das guerras entre Cristãos e Mouros até que, finalmente, em finais do séc. XI teve a sua situação estabilizada e, provavelmente, restabelecida a sua paróquia.

Do ano de 1268 chegou-nos a alusão à apresentação in solidum na vigararia de Longa do Pe. Lourenço Martins pelos Cónegos do Cabido da Sé Lamecense, monges de São Pedro das Águias, herdeiros e padroeiros, tendo aquele sido posteriormente instituído e confirmado pelo bispo de Lamego D. Pedro Anes.

Capela de Santo Isidoro

Já com o arrolamento paroquial do reino, de 1321, no reinado de D. Dinis, a paróquia de São Paio de Longa terá sido taxada em 30 libras.

Segundo alguns autores, Longa terá tido foral outorgado em 15 de Fevereiro de 1514 por D. Manuel I, o que poderia ser, em princípio, corroborado pela própria grafia do registo oficial, apesar de nesse documento, nas partes referentes à Pena d’Arma, e outros itens, se remeter para o extensíssimo Foral de Lousã em detrimento do Foral de Lamego. No entanto, tal foral referir-se-á, verdadeiramente, à vila de Loriga, actualmente no concelho de Seia.

Solar dos Ferreira Cardoso

No Censual da Sé de Lamego, da 1.ª metade do séc. XVI, Longa aparece referida como Abadia, sendo o seu abade da apresentação do Cabido da Sé de Lamego em alternativa com os monges do Mosteiro de São Pedro das Águias, seguida de confirmação do Senhor Bispo. Mais se refere que a Visitação era paga através do antigo costume do Jantar.

Em 1527, o Cadastro do Reino alude ao concelho de Longa, então constituído por 50 fogos habitacionais.

Posteriormente, no ano de 1708, o Pe. Carvalho da Costa, na sua Corografia Portugueza, escreveu que a vila de Longa, pertencente à Coroa, era então composta por 90 fogos habitacionais, sendo o seu governo civil, judicial e militar exercido por um Juiz Ordinário, dois Vereadores e um Procurador do Concelho, que compunham o seu Senado, existindo, ainda, um Escrivão da Câmara, um Meirinho e uma Companhia de Ordenança (com respectivo Capitão). Mais referiu que a igreja paroquial, com a invocação de São Pelágio, possuía a categoria de Abadia de colação ordinária, apresentada alternativamente pelo Cabido da Sé de Lamego e pelos Frades Bernardos [de São Pedro das Águias].



Igreja Matriz de Longa

Devido às querelas em torno do seu padroado, por força da alternativa da sua apresentação, desde o séc. XV e até meados do Séc. XVIII, muitos processos judiciais terão tido lugar entre o Cabido da Sé de Lamego e os religiosos do Mosteiro de São Pedro das Águias da Ordem de Cister, apenas estabilizando nas décadas de 1740/1750, a favor dos Cónegos de Lamego.

Alguns desses dados foram corroborados pelo Abade de Longa, Pe. Manuel da Guerra Torres, nas respectivas Memórias Paroquiais de 1758, tendo aquele referido, a título de curiosidade, o Castelo de Longa, numa época em que a sociedade começava a despertar para a arqueologia e história das nações.

Casa do Abade

O concelho de Longa foi extinto em 6 de Novembro de 1836, passando a freguesia para o concelho de S. Cosmado, extinto por sua vez a 24 de Outubro de 1855, data em que foi anexada ao concelho de Tabuaço.

Tal como as restantes freguesias do concelho de Tabuaço, Longa possui uma grande riqueza ambiental, paisagística, histórica e cultural para gáudio dos seus visitantes.

Troço de calçada romana
No que concerne à arqueologia e como não poderia deixar de ser, há a referir a Citânia de Longa, o Povoado Calcolítico do Grail, o Povoado da Encosta do Muro e a Mesinha do Redoiro, os vestígios de estruturas alti-medievas do Monte Rei, os diversos troços de vias romanas/medievais que ligam a povoação à Citânia, à Granja do Tedo, a Arcos e a Nagosa, um Lagar medieval no Talefre, a Anta (ou Dólmen) do Alto da Quinta, diversas fossetes nos lugares da Lapinha e de Santo Isidoro, algumas Sistas no lugar do Castelo, um fragmento de sarcófago medieval que terá sido aproveitado na edificação de uma casa no Largo do Eirô, e o Menir da Chã, recentemente descoberto.

Menir da Chã

Relembrando o antigo concelho é possível referir o Pelourinho de Longa, reconstruído recentemente, no Largo da Praça, para se juntar à primitiva Cadeia e à antiga Casa da Câmara, bem como ao antigo Tribunal e Cadeia nova de Longa, sito no Largo do Eirô, cujo edifício desempenha actualmente a função de sede da Junta de Freguesia.

Interior da Igreja Matriz

Relativamente ao património religioso o destaque vai para a Igreja Matriz de Longa, templo de origem medieval cuja decoração e arquitectura actual nos remete para os estilos Maneirista, Barroco Joanino e Neoclássico. No seu interior, demonstrativo do excelente efeito cenográfico provocado pela conjugação de elementos maneiristas, barrocos e rocailles, que tornam este templo significativamente importante como exemplo de estudo da evolução do barroco regional, destacam-se as coberturas interiores em falsa abobada de berço abatido com 109 caixotões pintados com motivos hagiológicos e cenas da vida da Virgem e de Cristo, complementados por um precioso conjunto de talha joanina dourada e policroma, composto pelo altar-mor, pelos altares colaterais e laterais e pela talha que cobre o arco cruzeiro.

Senhora da Saúde

Existe ainda um Santuário dedicado a Nossa Senhora da Saúde, cuja capela foi inaugurada em 1930, a Capelinha da Senhora da Guia, um pouco mais antiga mas reconstruída na mesma época, não longe do lugar original, a Capela de São Miguel, da 2.ª metade do séc. XVIII, a Capela de Santo Isidoro, do séc. XVII, a Capela de São Sebastião, dos sécs. XVIII e XIX, e a Capela de Santo António, com elementos de finais do séc. XVI, além do Calvário, já sem a sua cruz, e o Cruzeiro do Alto da Quinta.

Cruzeiro do Alto da Quinta

Capela de São Miguel

No que concerne à arquitectura civil residencial será de referir, entre outros inúmeros imóveis construídos ao longo dos séculos, a Casa do Abade, com janela manuelina, o Solar dos Ferreira Cardoso, seiscentista e setecentista, ou a romântica Casa dos Leões e o Palacete da Rua de São Miguel, ambos do séc. XIX.

Pelourinho de Longa

A arquitectura civil de equipamento aparece representada através das Fontes da Rigueira, do Cimo de Vila, das Alminhas e do Fontanário da Praça, que ostenta a seu lado uma lápide com uma quadra em latim datada de 1835. Como marco comemorativo é possível referir o Cruzeiro dos Centenários de Longa, novecentista.

Longa, uma terra antiga com um passado histórico interessante onde o visitante se poderá demorar por muitas horas, calcorreando caminhos antigos, descobrindo cascatas e ribeiros, penedos esculpidos pelo vento e pela água, podendo observar uma águia a sobrevoar um monte, um javali ou uma raposa vindos de nenhures, bem como outros inúmeros pormenores notáveis da natureza envoltos pela ancienidade de um povo bem português.